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Feb 10, 2016

Dalice Atomicus

Nathalie Shau

Dali Atomicus, photo by Philippe Halsman (1948)


Sep 9, 2015

Dorothea Tanning in Wonderlands

"Tanning‟s lithograph album Les 7 périls spectraux (1950) depicts just such a breakdown. Though these Seven Perils do not explicitly relate to the Alice narrative, they might still be interpreted in Carrollian terms. This is most especially the case with the Premier Peril [Fig.12] in which we see an Alice-like figure approaching a book-door, driven, one assumes, by her epistemophilic curiosity to feel her way into knowledge."

source:
Surrealism’s Curiosity: Lewis Carroll and the Femme-Enfant by Catriona McAra


Dorothea Tanning in Les 7 périls spectraux (1950)


Sir. John Tenniel


Dorothea Tanning in Les 7 périls spectraux (1950)

Jun 3, 2013

Enigmagic Alice by Nathalie Shau


Secret Garden by Nathalie Shau


"Why, look you now, how unworthy a thing you make of me! 
You would play upon me. 
You would seem to know my stops. 
You would pluck out the heart of my mystery."

William Shakespeare,  Hamlet




Mar 6, 2013

Presence d’Alice





Max Ernst


Presence d’Alice

“At the junction of two signs, one for a school of herrings and the other for a school of crystals, thirthy-three girls set out for the white butterfly hunt, the blind dance in the night, princess badly and the black crow is speak”. 

Max Ernst



Charles Blackman
Jealous Alice Butterfly



Charles Blackman


“Encantadora e excepcional, a narrativa (de Alice) a cada instante foge do plano da realidade e oniricamente se move, alada e sensível, num mundo que a imaginação borda com todos os seus caprichos”.



Charles Blackman
Night  sky butterfly




“A palavra traz a sua noite, o invisível. Abre as portas obscuras do que não pode ser lido com os olhos e com os dedos, mas que adivinhamos facilmente por trás do som das palavras e do aço dos espelhos.”

 Jaqueline Held


Mar 3, 2013

A BUSCA DO MARAVILHOSO


O maravilhoso no surrealismo atravessava fronteiras entre a vida e o sonho em direção a uma nova concepção de realidade, fonte de toda a criação artística.

“O maravilhoso é sempre belo, qualquer tipo de maravilhoso é belo, somente o maravilhoso é belo”.  André Breton


"O maravilhoso varia de época para época; ele participa misteriosamente de uma espécie de revelação geral de que só nos chegam pormenores: as ruinas românticas, ou manequim moderno ou qualquer outro símbolo apto a mexer com a sensibilidade humana por algum tempo." André Breton

   Alice, por que não?

Pierre Mabille definiu o maravilhoso como uma qualidade particular e verdadeiramente indefinível que se prende a alguns seres, a alguns acontecimentos, a alguns textos, a alguns quadros de algumas épocas, inerente a cada descoberta, a cada encontro perturbador, ou a cada conjunção do desejo com a realidade exterior: 

 O Maravilhoso exprime a necessidade de ultrapassar os limites expostos pela nossa estrutura, de atingir uma maior beleza, um maior poder, uma maior duração. Ele é a luta de liberdade contra tudo o que o reduz, a destrói e a mutila; ele é tensão, isto é, qualquer coisa de diferente do trabalho regular e maquinal: a tensão da paixão e da poesia.

 Aonde encontrar o maravilhoso?



Toyen


Uma outra, sem nome, no deserto contemplava o mistério. Nunca conheceremos o seu rosto. O mistério era vazio. O nada aonde morava o infinito. Ela só trazia uma rede para caçar Snarks e borboletas. Lagartas, metamorfoses, perguntas impossíveis, guardiã dos paradoxos, peregrina das fronteiras. Alice percebeu que não havia separação entre o dentro e o fora de si mesma, como um anel de Moebius. Alice era um mapa em branco, um casulo do invisível, uma promessa do impossível. Ouviu uma voz sussurrante que dizia: 

“procure um ponto do espírito onde a vida e a morte, o real e o imaginado, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o alto e o baixo deixem de ser percebidos como contradições” . André Breton


Jan 31, 2013

On every golden scale


Leonora Carrington
How doth the little crocodile...  (1998)


How doth the little crocodile
Improve his shining tail,
And pour the waters of the Nile
On every golden scale!

How cheerfully he seems to grin,
How neatly spreads his claws,
And welcomes little fishes in
With gently smiling jaws!

Lewis Carroll
Alice in Wonderland


Leonora Carrington sculpture, Mexico City



How doth the little busy Bee
 Improve each shining Hour, 
And gather Honey all the day 
 From every opening Flower! 

 How skilfully she builds her Cell! 
 How neat she spreads the Wax! 
And labours hard to store it well 
 With the sweet food she makes. 
Isaac Watts
Against Idleness and Mischief





Walt Disney, 1951

"How Doth the Little Crocodile" is a parody of the moralistic poem "Against Idleness and Mischief" by Isaac Watts (Alice was originally trying to recite that). Watts' poem begins "How doth the little busy bee," and uses a bee as a model of hard work. In Carroll's parody, the crocodile's corresponding "virtues" are deception and predation, themes which recur throughout Alice's adventures in both books, and especially in the poems."
 from


Dec 16, 2012

a call to the unknown

Adolf Hoffmeister
 illustration for Comte de Lautreamont’s Poesies (Bratislava, 1967) 


 "Ainda mal entramos e já todos os pequenos gênios da infância nos saltam ao pescoço. Realmente, de uma minúscula flor transformável, não desdenha o nosso sapientíssimo guia, o Sr. Bolinaga, que preside a todo este incessante fausto, fazer com que salte a nossa vista o coelho de Alice in Wonderland; assim como a própria mesa onde Alice comia se estendeu a perder de vista perante nós, quando levamos à boca o liliputiano tomate de pitanga, com o seu estranho gosto a veneno. Cá temos a comprida e pontiaguda folha, barbada de seda, que ela utilizava nas suas mensagens ,
 
[...] Depois dessa folha viva, a qual acabamos de ver Alice confiar os seus projetos, impossível nos é perder mais tempo a erguer contra o sol uma outra folha, esta seca, mas parecida com um grande às de paus desprovido de base e recortado numa asa de cigarra: deve tratar-se agora das suas recordações." 

ANDRÉ BRETON 

 O Amor Louco. Lisboa: Editorial Estampa, 1971, pp. 96-97.


Image found at transversalinflexions




Aug 28, 2012

"Dreaming Head"

John Armstrong 


found at TATE


"O país das maravilhas pode estimular o encontro com o desconhecido, a incerteza e o mistério. As metamorfoses da menina geraram figuras enigmáticas que questionam as dobras e bordas de sua identidade múltipla. Novas Alices desfiam o racionalismo afirmando o encantamento, a imaginação, o sonho, a rebelião, mas também os encontros extremos entre a inocência e o estranho, o grotesco e mesmo o perverso." 
Adriana Peliano


“As aventuras de Alice dentro da toca do coelho ou através do espelho encorajam a procurarmos outras brechas para penetrarmos no maravilhoso” Pierre Mabille


Wonderland can stimulate the encounter with the unknown, the uncertainty and mystery. The metamorphoses of the girl led enigmatic figures who question the folds and edges of her multiple identities. New Alices fray rationalism though enchantment, imagination, the dream, the rebellion, but also the extreme encounters between innocence and the strange, the grotesque and even the perversity. 
Adriana Peliano




This work participated at the Alice's exhibitions at Tate Liverpool: Alice in Wonderland
Hamburger - Kunsthalle: Alice in the Wonderland of Art

Feb 4, 2012

A dream to Dorothea Tanning (1910 - 2012)


Dorothea Tanning

Dorothea Tanning, Amagansett, New York

Dorothea Tanning, New York





We are moved to share the notice that Dorothea Tanning died on January 31, 2012, after 101 years of wonders. She was an exceptional artist, painter, sculptor, writer and poet. During the '40s she was engaged with surrealism and lived for over thirty years with the great artist Max Ernst.

After some time she became involved in other projects, such as making costumes and scenery for dance. In recent years Dorothea turned more to writing, publishing works in prose and verse, including two important volumes of memoirs.

Some of her surrealist pictures have Alice connections and this painting bellow, "Ein Klein Nachtmusik", participate in the recent Alice exhibition at TATE Liverpool, UK.


Know more about her life and work at





Ein Klein Nachtmusik, 1943

someone enters death
eyes wide open
like Alice in the country of what’s been seen.

Alejandra Pizarnik

A dream with Dorothea Tanning

Adriana Peliano

When Dorothea was a child she travelled in a world of fantasy by reading gothic stories, fairy tales, and authors such as Carroll, Andersen and Wilde. When Dorothea was an adult, immersed in the surreal universe, Alice appeared and faced some of her paintings like"Ein Klein Nachtmusik" (1943) and "Palaestra" (1947). In these dreamlands overflow the strangeness, the attraction and repulsion between eroticism and fear. Alice recognized the sinister doors and their call for the unconscious, in striking lights and colors. Displacements and disproportions. Alice ventured into the nightmare and became a mirror for powerful and disturbing images of girls facing desire, horror and mystery.

Then I woke up and saw that I was still dreaming. Suddenly a surreal rabbit came out of a hat and announced: Alice leads a rebellion against a rational view of the world, against the bars of the conventional desire, against mechanical conceptions of time and space. (1) She travels in a land where nothing is normal or predictable. Where she does not remain the same size or preserve her own name, in a permanent transformation. Where there is no boundary between dream and the waking life, if life is a dream. Not what Alice is but what Alice can be. Through Alice and what the surrealism found there.

Going down the rabbit hole, Alice, Dorothea and us go to a unknown land, as when we travel with closed eyes. The surprises emerge from everywhere. Who are we, anyway?

The images of Dorothea Tanning presented here are among the most significant, defying and disturbing of all works that dialogue with the universe of "Alice in Wonderland".

(1) CARDINAL Roger. apud. STERN, Jeffrey. Lewis Carroll the Surrealist. In. GIULLIANO, Edward. Lewis Carroll: A celebration. Random House, 1981.



Dorothea Tanning, New York


Estamos tristes em compartilhar a noticia de que Dorothea Tanning se foi no dia 31 de janeiro de 2012, aos 101 anos de milmaravilhas. Ela foi uma artista excepcional, pintora, escultora, escritora e poeta. Na década 40 participou do surrealismo, quando fez pinturas magníficas. Foi casada durante mais de trinta anos com o incrível artista Max Ernst.

Mais tarde ela desenvolveu outros projetos, como por exemplo, fazendo figurinos e cenografia para dança. Nos últimos anos Dorothea voltou-se mais para a escrita, publicando trabalhos em prosa e verso, incluindo dois importantes volumes de memórias.

Algumas de suas obras apresentam conexões com Alice, incluindo a pintura 'Ein Klein Nachtmusik' que esteve presente na recente exposição sobre Alice na TATE Liverpool, UK.

As imagens de Dorothea Tanning aqui apresentadas estão entre as mais significativas e inquietantes entre todas as obras que dialogam com o universo de "Alice no País das Maravilhas". 


Palaestra, 1947

y alguien entra en la muerte
con los hojos abiertos
como Alicia en el país de lo ya visto.

Alejandra Pizarnik

Um sonho com Dorothea

Adriana Peliano


Quando Dorothea era uma criança se aventurava por um mundo de fantasia pela leitura de romances góticos, contos de fadas e autores como Carroll, Andersen e Wilde. Já adulta, mergulhada num universo surreal, Alice visitou suas pinturas como "Ein Klein Nachtmusik"(1943) e "Palaestra" (1947). Nessas imagens transbordava o estranhamento, entre o impulso erótico e o medo de mergulhar no desconhecido. Deslocamentos e desproporções. Portas misteriosas eram um chamado para o inconsciente. Alice se aventurava no pesadelo e se tornava um espelho para imagens de horror, mistério e desejo.

Eu então acordei e vi que ainda estava sonhando. Foi quando um coelho surrealista saiu da cartola e anunciou: Alice provoca uma rebelião contra uma visão racional do mundo, contra as grades convencionais do desejo, contra concepções mecânicas do tempo e espaço. (1) Ela vive num cenário onde nada é normal ou previsível. Onde ela não permanece do mesmo tamanho nem preserva seu próprio nome. Onde não existe fronteira entre dormir e acordar. Através de Alice e o que o surrealismo encontrou lá.

Ao descer pela toca do coelho, Alice, Dorothea e nós passamos a habitar um país diferente do conhecido, como quando viajamos de olhos fechados. As surpresas surgem de todos os lados. Quem somos nós, afinal?(2)


(1) CARDINAL Roger. apud. STERN, Jeffrey. Lewis Carroll the Surrealist. In. GIULLIANO, Edward. Lewis Carroll: A celebration. Random House, 1981.
(1) \ MEIRELLES, Cecília. Problemas da literatura infantil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.


Dorothea Tanning



Dorothea Tanning and Max Ernst, Sedona, Arizona






"(...) Alice abriu outra porta e se deparou com outros pesadelos que se desdobravam em crises, conflitos e medos em relação a um mundo adulto com regras incompreensíveis e tirânicas. Foi quando viu duas imagens impactantes que descobriria foram criadas por Dorothea Tanning, como Leonora, também casada com Max Ernst. Alice se torna espaço para pesadelos de morte e desejo, ansiedades, mistérios, mergulhos no desconhecido. A metamorfose é o movimento do corpo que se assombra, ritos de passagem, suspensão da realidade. No fundo, a direita, a menina se transformara em espelho, portas, metamorfoses, viagens ao desconhecido.


Quando criança Dorothea escapava para um mundo próprio de fantasia pela leitura de textos góticos, contos de fadas e autores como Carroll, Andersen e Wilde. Nas pinturas de Dorothea transbordava o estranhamento, a atração e a repulsa, entre o impulso erótico em sua potência libertadora e o medo de mergulhar no mundo instintivo. Como Alice, suas heroínas faziam viagens pessoais de meninas para mulheres. Diante daquelas telas Alice era lançada ao desconhecido. Via corpos em transformações violentas que afirmavam a busca de uma conexão feroz com o maravilhoso. Via imagens poderosas e inquietantes da turbulência da puberdade e descoberta da sexualidade. Os espaços interiores se tornavam assombro e pesadelo. (...)"


Adriana Peliano

"As Alices transitavam entre a criança e a mulher adulta e seus mistérios sexuais, seu trânsito pelos mundos ocultos. Diante desse aparente dilema, o que o surrealismo fez foi criar novas Alices. Saber até que ponto essas Alices já estavam no livro ou surgiram a partir dele talvez não seja a questão. O fato é que o surrealismo mostrou o quanto Alice podia ser transformada e como muitas outras estórias moram dentro de uma estória, se não buscarmos uma rigida fidelidade com o original, mas um compromisso com o que criamos a partir dele. Alice fertiliza mundos, prolifera viagens, transita entre novas realidades, aberta para transformar-se a cada momento. No surrealismo os artistas recriam Alice se recriando já que a leitura é criação. O surrealismo mostrou o quanto a arte dá passagem para um movimento aonde a imaginação viaja pelo maravilhoso. Não o que Alice foi, mas o que pode vir a ser."

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