"The Children’s Garden, in San Francisco, uses grass, gravel, and beds tiny flowers to create a dynamic, almost maze-like space where children can run and play. The sharp angles and contrasting colors in the design turn a soft, safe surface into a striking work of art. A tunnel on one end of the space looks like Alice in Wonderland's portal into imaginary worlds."
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Jan 29, 2013
Este livro é doido, isto é:
"Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade."
Jan 26, 2013
Is Alice Everywhere?
By Hannah Flynn
I started to notice that Alice was everywhere.
But everywhere. In obvious places like films, other books that tell other stories from Wonderland (and new places, like Blunderland, Quantumland, Numberland and Sunderland), toys and tie-in merchandise.
And in less obvious places.
Adriana Peliano
Have you ever been reading a book that’s not really about Alice, but found situations or characters who are like Tweedle-dee and Tweedle-dum, or the Caterpillar? Or words that sounds like they come from Wonderland? (The book Finnegan’s Wake by James Joyce is full of language that sounds exactly like the type of nonsense you get in Wonderland.)
Even in grown-up films like The Matrix and albums by bands like Aerosmith or singers like Gwen Stefani there are references to Alice in Wonderland.
Curiouser and Curiouser, isn’t it? Perhaps I particularly look for Alice because I spent so much time reading about her. Or maybe there’s something about Alice that makes her stick in our brains.
How many times have you heard someone say ‘follow the white rabbit’ or ‘I’m late, I’m late!’ or even ‘Off with her head?’ The sayings, songs and puzzles from Alice are part of our culture like almost nothing else.
So why does Alice stick around, when there are so many books from that time which we have all forgotten?
There have been so many versions of Alice, and she always looks different. My favourite childhood Alice had red hair and a green dress. Our Wondermind Alice wears a lovely buttercup yellow frock. Peter Blake’s Alice has a white dress with a sash. Helen Oxenbury’s Alice even has a dress that any modern little girl might wear.
So perhaps one thing that makes Alice memorable is that she can be from any time. She could be you, or your sister, or your mum as a little girl!
There’s something else though. Think about the language Alice uses. The actual words Alice in Wonderland and Through the Looking Glass were written in 1865. Seems like a long time ago, doesn’t it? There are a lot of jokes in the book which only audiences of the time would get. But now, they all seem like puns, jokes and nonsense.
Adriana Peliano
So is there something about the nonsense that makes us remember it? Something in words like…
Twas brillig, and the slithey toves
Did gyre and gimble in the wave
All mimsy were the borogoves
And the mome raths outgrabe
…which catch our attention in a way that most books and poems simply don’t?
Seems like the links between Alice and our minds are even curiouser than we can even imagine… and in Wondermind, we’ve created yet another Alice who will dash about in your brain, getting you to think about things differently, and hopefully remember some amazing facts about your brain in the way that only Alice can.
So: which one is your favourite Alice? Where have you spotted Alice, outside of the books?"
Hannah Flynn
is an Alice in Wonderland enthusiast who also happens to work at Tate on Tate Kids,
Young Tate and the Great British Art Debate.
Adriana Peliano
Aug 7, 2010
Phoebe in Wonderland
Ana Claudia Soares
A MENINA NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Dirigido e escrito por Daniel Barnz. Com Felicity Huffman, Elle Fanning, Patricia Clarkson, Bill Pullman, Bailee Madison, Campbell Scott, Ian Colletti, Caitlin Sanchez, Mackenzie Milone, Austin Williams.
"Falemos do lindo filme sobre uma menina que encontra na personagem Alice de Lewis Carroll um lugar no desejo da mãe. Logo no início do filme, vemos a festa de aniversário de Phoebe e seu encantamento diante de uma maquete do País das Maravilhas, presente de seus pais. Sua mãe havia escolhido Alice no País das Maravilhas como tema para escrever um livro, a partir de sua Dissertação, mas não consegue terminá-lo. Em seguida, acompanhamos os desaniversários da menina.

A entrada em cena da professora de teatro é no mínimo, instigante. Ela faz sua irrupção declamando um dos mais belos exemplos do nonsense carrolliano Jabberwocky: “´Twas brillig, and the slithy toves / Did gyre and gimble in the wable: / All mimsy were the borogoves, / And the mome raths outgrabe”[1]. As crianças ficam mesmerizadas! Quando Alice escuta isso, relutantemente acha difícil de entender, mas afirma que este poema encheu sua cabeça de idéias. O mesmo aconteceu com Phoebe! A professora, com o poema, conseguiu imprimir na aluna um certo estranhamento. Phoebe inscreve-se para atuar na peça “Alice no País das Maravilhas”, pois acredita que sua mãe ficaria feliz por ela incorporar Alice e assim seria mais amada por ela.
A professora de teatro não diz aos alunos o que eles devem fazer, pede a eles que digam. Embora saiba como fazer, ela não disse aos alunos como fazer, repetindo, da mesma forma que um cozinheiro, os ingredientes de uma receita de bolo. Ela não se colocou como modelo, ao contrário, permitiu que os alunos se colocassem como sujeitos responsáveis pelo processo que passavam, transmitindo-lhes confiança.

Encontrar uma brecha onde seja possível dar um lugar para se encontrar. Após lutar contra suas resistências, Phoebe escolhe ser Alice e faz o teste para esse papel de maneira primorosa (Elle Fanning consegue passar no difícil teste e nos passar o peso da sensibilidade daqueles que são tocados pelo estranho, construíndo uma doce Alice). Ela carrega as palavras com muita intensidade, deixando-nos perceber que não se trata de pura encenação, por exemplo quando inicia a peça: “Como as coisas estão estranhas hoje. Deixe-me pensar. Eu era a mesma quando acordei de manhã? Tenho a impressão de ter me sentido um pouco diferente. Mas, se não sou a mesma, a próxima pergunta é, quem sou eu?” Eis sua interrogação existencial!

Phoebe se sentia como Alice no País das Maravilhas, completamente perdida, sem controle sobre seu corpo – o qual, lhe obrigava a movimentos involuntários, como lavar várias vezes as mãos – ou sua fala, levando-lhe a repetir frases e palavras que escutava, sem conseguir parar. Mas, eis que surge o Gato! A professora representa este papel para a menina. Uma das passagens mais incríveis dessa obra é quando Alice, ao saber que o Chapeleiro e a Lebre de Março são loucos, diz para o Gato que não quer se meter com gente louca. Ao que o Gato responde: “Oh, é inevitável! Somos todos loucos aqui. Eu sou louco. Você é louca”. É como se o Gato autorizasse Alice a também ser louca como os habitantes do País das Maravilhas e assim a menina pudesse continuar caminhando, sentindo-se menos estranha naquele lugar, ao dar-se conta de que ela também tinha um lado “maluco”. Na peça, Phoebe se sente menos diferente das outras crianças, pois pôde perceber que não havia nada nela que não fizesse parte do humano e assim como Alice começou a encarar uma dolorosa e comovente jornada como sujeito, que não é efeito da biologia, mas sim afetado pelos significantes que o cercam. E assim Phoebe continuou caminhando."
Fonte
"Falemos do lindo filme sobre uma menina que encontra na personagem Alice de Lewis Carroll um lugar no desejo da mãe. Logo no início do filme, vemos a festa de aniversário de Phoebe e seu encantamento diante de uma maquete do País das Maravilhas, presente de seus pais. Sua mãe havia escolhido Alice no País das Maravilhas como tema para escrever um livro, a partir de sua Dissertação, mas não consegue terminá-lo. Em seguida, acompanhamos os desaniversários da menina.

A entrada em cena da professora de teatro é no mínimo, instigante. Ela faz sua irrupção declamando um dos mais belos exemplos do nonsense carrolliano Jabberwocky: “´Twas brillig, and the slithy toves / Did gyre and gimble in the wable: / All mimsy were the borogoves, / And the mome raths outgrabe”[1]. As crianças ficam mesmerizadas! Quando Alice escuta isso, relutantemente acha difícil de entender, mas afirma que este poema encheu sua cabeça de idéias. O mesmo aconteceu com Phoebe! A professora, com o poema, conseguiu imprimir na aluna um certo estranhamento. Phoebe inscreve-se para atuar na peça “Alice no País das Maravilhas”, pois acredita que sua mãe ficaria feliz por ela incorporar Alice e assim seria mais amada por ela.
A professora de teatro não diz aos alunos o que eles devem fazer, pede a eles que digam. Embora saiba como fazer, ela não disse aos alunos como fazer, repetindo, da mesma forma que um cozinheiro, os ingredientes de uma receita de bolo. Ela não se colocou como modelo, ao contrário, permitiu que os alunos se colocassem como sujeitos responsáveis pelo processo que passavam, transmitindo-lhes confiança.

Encontrar uma brecha onde seja possível dar um lugar para se encontrar. Após lutar contra suas resistências, Phoebe escolhe ser Alice e faz o teste para esse papel de maneira primorosa (Elle Fanning consegue passar no difícil teste e nos passar o peso da sensibilidade daqueles que são tocados pelo estranho, construíndo uma doce Alice). Ela carrega as palavras com muita intensidade, deixando-nos perceber que não se trata de pura encenação, por exemplo quando inicia a peça: “Como as coisas estão estranhas hoje. Deixe-me pensar. Eu era a mesma quando acordei de manhã? Tenho a impressão de ter me sentido um pouco diferente. Mas, se não sou a mesma, a próxima pergunta é, quem sou eu?” Eis sua interrogação existencial!

Phoebe se sentia como Alice no País das Maravilhas, completamente perdida, sem controle sobre seu corpo – o qual, lhe obrigava a movimentos involuntários, como lavar várias vezes as mãos – ou sua fala, levando-lhe a repetir frases e palavras que escutava, sem conseguir parar. Mas, eis que surge o Gato! A professora representa este papel para a menina. Uma das passagens mais incríveis dessa obra é quando Alice, ao saber que o Chapeleiro e a Lebre de Março são loucos, diz para o Gato que não quer se meter com gente louca. Ao que o Gato responde: “Oh, é inevitável! Somos todos loucos aqui. Eu sou louco. Você é louca”. É como se o Gato autorizasse Alice a também ser louca como os habitantes do País das Maravilhas e assim a menina pudesse continuar caminhando, sentindo-se menos estranha naquele lugar, ao dar-se conta de que ela também tinha um lado “maluco”. Na peça, Phoebe se sente menos diferente das outras crianças, pois pôde perceber que não havia nada nela que não fizesse parte do humano e assim como Alice começou a encarar uma dolorosa e comovente jornada como sujeito, que não é efeito da biologia, mas sim afetado pelos significantes que o cercam. E assim Phoebe continuou caminhando."
Fonte
"Of Miss Phoebe Carlo's performance it would be difficult to speak too highly. As a mere effort of memory, it was surely a marvellous feat for so young a child, to learn no less than two hundred and fifteen speeches--nearly three times as many as Beatrice in `Much Ado About Nothing'. But what I admired most, as realising most nearly my ideal heroine, was her perfect assumption of the high spirits, and readiness to enjoy everything, of a child out for a holiday. I doubt if any grown actress, however experienced, could have worn this air so perfectly; we look before and after, and sigh for what is not; a child never does this ; and it is only a child that can utter from her heart the words poor Margaret Fuller Ossoli so longed to make her own, `I am all happy now!'"
Lewis Carroll
Lewis Carroll
Read more about Carroll's comments about Alice on Stage at
Know more about Alice on Stage in the book
Lewis Carroll and the Victorian stage: theatricals in a quiet life
by Richard Foulkes
by Richard Foulkes
Phoebe Carlo as Alice
in Alice in Wonderland,
produced at the Prince of Wales's Theatre, London,
Thursday afternoon, 23 December 1886
Oct 21, 2009
O sentido está em ti
The writer Paulo Mendes Campos writes a letter to her daughter in her 15th birthday. He gives her an Alice in Wonderland edition and suggests how this book can help her to understand the world and herself.
Paulo Mendes Campos
Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Balthus
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?"
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é o lugar – comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
Balthus
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria têm de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon!" Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gosta de gatos, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gatos se fosses eu?"
Balthus
Disse o ratinho: "Minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinicerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.
Pilar Correia
Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Joseph Cornell
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.
Paula Rego
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