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7 de ago. de 2010

Alice 39 and Alice 41 by Max Ernst


Alice (1941)
Max Ernst


"Nesse momento Alice teve uma visão impressionante vendo ela mesma numa outra pintura de Max Ernst . A figura feminina no quadro era uma mulher parcialmente nua, coberta de um manto tecido de diferentes reinos, ao mesmo tempo animal, vegetal e mineral.  Essa entidade enigmática se chamava Alice, mas também era Leonora Carrington, pintora, escritora e mulher de Max Ernst, sacerdotisa de jornada por mundos profundos. Era também o próprio Ernst em contato com um universo feminino arcaico e sibilino. 

A pintura tinha sido criada através da decalcomania, uma técnica criada por Ernst que apareceu em vários quadros do período. Decalcomania é um processo que inicia com a propagação de tinta espessa em cima de uma tela, e depois, enquanto ela ainda estiver molhada, aplicasse uma cobertura como papel ou papel-alumínio. Esta cobertura é removida e o padrão resultante de pintura se torna a base da pintura final. As manchas informes se tornavam detonadoras de visões de figuras metamórficas. A prática tem como ancestral a admiração de Leonardo sobre as manchas da parede, os carvões sobre a grelha, as nuvens, a correnteza da água, descobrindo assim coisas maravilhosas. Essas visões apontam para uma diluição de fronteiras entre o dentro e o fora, onde o mundo objetivo para a ser modelado pelas imagens do inconsciente. A figura exalava sinistra melancolia.


A técnica favorecia a manifestação espontânea de formas arcaicas e subconscientes. Entre essas imagens, Europa depois da chuva (40-42) foi criada no mesmo período que Alice (41). Na tela se via uma paísagem desolada, habitada por forças demoníacas e alucinatórias, lágrimas, sangue, seres híbridos e arcaicos, que anunciavam o panorama da Europa durante a segunda guerra. Alice viu que o país das maravilhas criado por Ernst também estava imerso nos dilemas e conflitos de sua época.




Alice after the rain (1940 - 1042)
Max Ernst 

Alice estava sozinha nesse mundo em ruínas num misto de introspecção e melancolia. Revelava uma paísagem de guerra e ao mesmo tempo a busca de proteção em uma terra distante. A obra reunia uma dimensão política e coletiva, mas ao mesmo tempo prenunciava a busca do feminino profundo como um antídoto contra a crise da civilização ocidental. Alice, Leonora, Max, a Europa e a humanidade compartilhavam o embate entre as forças destrutivas da selva mental de onde surgiam os monstros e a busca de caminho de transformação e redenção ao mesmo tempo objetivo e subjetivo, consciente e inconsciente, masculino e feminino, individual e coletivo.




Alice (1939)
Max Ernst 


Alice viu uma figura metamórfica em um quadro pintado por Max Ernst em 1939 num momento de tensão política, um pouco antes de emigrar para América. Alice é um ser mutante, bicho, pássaro, planta, caverna. Alice é a união entre o feminino e o masculino, entre Ernst e Leonora Carignton. Alice se desdobrava em novos corpos e provocava reações alquímicas. Por que Alice? Um corpo em metamorfose num mundo de sonhos. A quebra de fronteiras entre o eu e o mundo, novas brechas para penetrarmos no maravilhoso. O país das maravilhas é um mundo em destroços, mas a obra também revela o desejo de um recomeço em seres metamórficos num erotismo que acorda impulsos inconscientes. A Alice da estória se expande como possibilidades simbólicas e expressivas ou torna-se suporte para os dilemas do artista sem compromisso com a literatura de Carroll? Provavelmente as duas coisas, como disse o Gato, que caminho tomar depende de onde você quer chegar."
Adriana Peliano


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