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31 de ago. de 2009

Alicinações de Adriana Peliano | Alice through the looking glass illustrations



THROUGH THE LOOKING GLASS

1998


ILLUSTRATIONS



Capítulo I: A casa do espelho.

"Pode-se ver uma portinha do corredor da Casa do Espelho, se deixarmos bem aberta a nossa sala de visita: e é igualzinho ao nosso corredor até onde se vê, só que mais adiante, você sabe, pode ser completamente diferente. Oh, Kitty, que bom seria atravessar para dentro da Casa do Espelho!"

A Casa da Alice e a Casa do Espelho se refletem e se desencaixam como quebra cabeças. Fazem parte do jogo as ilustrações originais da história, além de peças de xadrez e das três gatinhas de Alice, Kitty, Dinah e Flocos de Neve e dois selos, um da Rainha Vitória e outro da Rainha Elizabeth.

Chapter I: Looking-glass house
The Alice’s house and the Looking glass one, are a reflected puzzles.




Através do espelho. Eis o grande paradoxo.
Mas se ali se atravessa, o que atravesserá que acontece com a sua própria imagem antes refletida? Através do espelho Alice continua a mesma menina ou vira reflexo de si mesma? Ali se transforma numa ecilA também invertida, ou ela mantém o seu Norte em um mundo todo ao contrário? Atravessando o espelho em todos os sentidos, Ali se atravessa nos entremeios de si mesma imagem, da qual é também reflexo.



Crossing the looking glass is probably the most enigmatic development on the book. 




Jabberwocky



Jogo entre o monstro e seus inversos.
Em bate, em corpo, em verso.
Jaguadarte*

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!”

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do homundo
Na árvore tamtam ele afinal
Parou um dia sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrefliflando através da floresta,
E burbulia um riso louco! (…)"

* Tradução de Haroldo de Campos.


Looking-glass monster and it’s reflexions.

“And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came.”




Mostra a morte do monstro, que atravessa os seus inversos com os versos do poema.
Vai vem, vem vai, pra trás, pra diante! E ei-lo que volta todo prosa!

(...) “Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, pra trás, pra diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

‘Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, hominino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!’
Ele se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas
E os momirratos davam grilvos."


The monster’s death or the performing of the big homicide.
Knocked from every side, the Jabberwocky dies dissolved in it’s own reflection.

“One, two! One, two! And throygh and through
The vorpal blade went snicker-snack!
He left it dead,and with its head
He went galumphing back”




Capítulo II: O jardim das flores vivas.



"– Ó lírio-tigrino – disse Alice dirigindo-se a um lírio que ondulava graciosamente ao vento – só queria que você pudesse falar! – Nós podemos falar – disse o lírio – quando tem alguém com quem valha a pena falar. (…) E todas as flores podem falar? – Tanto quanto você – disse o lírio-tigrino. – E bem mais alto. – Não seria educado de nossa parte começar, você sabe – disse a Rosa – e na verdade eu já estava me perguntando se você ia ou não falar! E disse para mim mesma: sua cara mostra que ela é algo racional, embora não pareça muito inteligente. Seja como for, sua cor está bem, e isso já é alguma coisa."

Alice tentava a todo custo sair da casa do Espelho, mas seus caminhos se embaralhavam e ela acabava voltando sempre na direção contrária. Ela já estava irritada com tantas idas e vindas, aindas e vidas, quando chegou ao jardim da flores vivas. Sempre viva, cAlice começou curiosa a conversar com as tais, florais de Barbie arrogantes e artificiais, que criticavam cAlice o tempo todo, acreditando que ela também fosse uma flor.
Seja como flor, cálice já!!
!


Chapter II: The garden of Live Flowers
Rose, Daisie, Violet and Tiger-lily, in calices of glass, composing the geometrical garden, in a game of looking glass reflections.





Quando encontrou a Rainha Vermelha, Alice também entrou no jogo. Logo em seguida as duas partiram em disparada, que dizer, em movimento alicinado. Mais depressa! Mais depressa! Terminado o lance, exausta e perplexa, Alice percebeu que elas ainda estavam no mesmo lugar. A Rainha então diz parada que no outro lado do espelho,

"Tem que se correr o mais depressa que se puder, quando se que ficar no mesmo lugar. Se você quiser ir a um lugar diferente, tem de correr pelo menos duas vezes mais rápido."


“Now, here, you see, it takes all the running you can do, to keep in the same place. If you want to get somewhere else, you must run at least twice as fast as that.”



Capítulo III: Insetos do Espelho.



Alice ultrapassa de trem a terceira casa do tabuleiro. Entrem logo no trem! Será que ainda tem vaga nesse vagão? Junto com Alice estão um homem vestido de papel, um besouro e um bode. Um fiscal na janela observa diferentes Alices pelo microscópio, pelo binóculo e pelo telescópio.  Vejam só: A menina no vagão foi pintada por Millais em “My first sermon”.
Ser moon é a alualice em que Tenniel se espelhou.


O locomotivo e as correspondências: Menina, você devia ser mandada pelo correio! Mesmo que não gostasse de sê-lo.


"– Ela devia ser rotulada: “Menina. Cuidado: frágil.” A seguir, outras vozes prosseguiram (“Quanta gente dentro desse vagão!” pensou Alice), dizendo: – Devia ir pelo correio, pois seu vestido está cheio de estampas … – Devia ser enviada como mensagem pelo telégrafo … – Devia rebocar o trem o resto da viagem … – E assim por diante."


Chapter III: Looking Glass Insects
Alice crosses by railway the third square of the board. One man dresses in paper, one beetle and one goat are sitting close to her. Carroll's aunt is playing the guard, who observes Alice through many optical instruments, in different points of view. The girl in the railway: My first sermon of Millais. "Less with care". Head was a slang to stamp. "She must go by post, as she's got a head on her."



Sentado no galho de uma árvore estava o Mosquitóculos semiótico. Ele aponta para Alice nesta floresta onde as coisa não têm nomes.
Ali se ia … Ali sei lá … Alice lá ia …

"– Mas o que vai ser do meu nome quando eu entrar?"


Alice found a very large Gnat sitting on a branch. He explains to Alice about the wood where things have no names."I wonder what'll become of my name when I go in?"


Capítulo IV: Tweedledum e Tweedledee



"Quando Alice foi cumprimentar os dois irmãos Twedledee e Twedleedum, não podia apertar a mão de nenhum dos dois em primeiro lugar, por temor de ferir a susceptibilidade do outro. Assim, resolveu a questão apertando a mão de ambos ao mesmo tempo: logo de imediato começaram a dançar em círculos."

Tweedledee e Tweedledum no tabuleiro de tweed são movimentados. Hora de mãos dadas, hora de laços desatados, Dee e Dum para a luta são preparados. Se Alice não der uma mão, os dois darão logo no pé. Quando diz que Dee faz que Dum. Quando diz que Dum faz que Dee. Se eu fosse como Dum, tirava a mão do bolso e botava a mão Ali… Se eu fosse como Dee…


Chapter IV: Twedleedum and Twedleedee
Alice, Dee and Dum are dancing arround the square. How can a hand gives it’s hand to shake the hand of another hand?




"– Ele etá sonhando agora – disse Tweedledee. – E com que é que você pensa que ele está sonhando? – ninguém pode adivinhar uma coisa dessas – observou Alice. – Ora, ora é com você! – exclamou Tweedledee, batendo palmas triunfantemente. – E se ele deixasse de sonhar com você, onde é que você acha que estaria? – Aqui no mesmo lugar, é claro – disse Alice. – Nada disso! – replicou Tweedledee com desdém. – Você não estaria em lugar nenhum. – Pois você é apenas uma espécie de imagem no sonho dele! – Se o Rei acordasse – acrescentou Twedleedum – você se apagaria – puff! – como a chama de uma vela!"

Alice assiste o Rei Vermelho sonhando com ela. Mas se ela faz parte do sonho, também faz parte do sonho o Rei sonhando com ela. Então o Rei sonha com Alice que assiste o Rei que sonha com ela assistindo o Rei sonhando com ela ... e assim por diante. Série infinita do sonho dentro do sonho. E se mais adiante o Rei Vermelho acordar será que isso ainda fará parte do sonho? Quem vivermelho verá …

Alice looks to the King dreaming with her looking to the king dreaming with her looking to him... The first paradox of a dream in another dream, in an infinite regress...



Capítulo V: Lã e Água

Com os braços abertos como se estivesso voando, passou a Rainha Branca correndo alicinadamente. Seus braços são os ponteiros de um relógio impossível, com o tempo voando ao contrário. Debaixo da fantasia, de tempos em tempos são representados os exercícios da imaginação da Rainha, que vai se tranformar na ovelha da loja misteriosa e diz ter apenas 101 anos de idade. Mas quem é que pode acreditar nisso?

"– Não posso acreditar nisso! – disse Alice. – Não pode? – disse a Rainha Branca com tom de voz penalizado. – Tente outra vez: respire profundamente e feche os olhos. Alice riu. – Não adianta fazer isso – disse ela – ninguém pode acreditar em coisas impossíveis. – Eu diria que você nunca praticou bastante – disse a Rainha. – Quando eu tinha a sua idade praticava sempre meia hora por dia. Às vezes me acontecia acreditar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã."


Chapter V: Wool and Water
The White Queen came ruuning with both arms stretched out wide, as if she were flying arround Alice’s head. It’s arms are like hands of an inverted clock, an inverted Queen.
Under the Queen’s dress are staged her exercises of imagination. The first to say that she was 101 years old and after that to become a sheep owner of the mysterious shop. Can You believe?


Capítulo VI: Humpty Dumpty



Continuando a partida, Alice encontrou Humpty Dumpty com o Rei na barriga, encasquetado sobre um muro estreito. O muro era o tabuleiro do jogo, limite onde ele pensava estar acima de qualquer suspeita, sem suspeitar que estava prestes a despencar lá de cima, terminando partido. Tabuleiro de palavras que seguem a sua lei, mestre do nonsense. De qualquer forma ele oferecia um bom emprego para as palavras, que trabalhavam para ele. O ovo paga as palavras, mas será que Alice pega o sentido?

Chapter VI: Humpty Dumpty
Humpty Dumpty sits on the wall, boss of the nonsense game. The letters are on the wall waiting for their payment. H.D. admires a tree near him, word which is working very well. 




Capítulo VII: O Leão e o Unicórnio.



"Ele só faz isso quando está com humor. Seu nome é Hagar.(...) - Eu amo meu amado com um H – Alice não resistiu a dizer – porque ele tem muito humor. Odeio-o com um H, por que é horrível. Eu o alimento com...com... Hamburger. Seu nome é Hagar ele mora num..."

Logo em seguida Alice encontra o Rei Branco contando os seus cavalos e soldados.
Com suas canetas de duplo sentido, o Rei anota todos os números: dados com duplo valor da palavra. Envia e recebe cartas com duplo valor da palavra.
Vem então chegando o mensageiro Hagar, se contorcendo todo e fazendo as caretas mais medonhas para o Rei sobre um tabuleiro de palavras cruzadas, que determina duplo valor para as letras e para as palavras. Jogos de palavras e de sentidos.


Chapter VII: The Lion and the Unicorn
Alice met the White King couting it’s soldiers and horses. As on the mirror all is inverted, the pieces as the Tenniel’s draw are in the negative.
From the left is coming the messenger Haigha. Like a game of words the messenger offers to the King foods beginning with H, as ham sandwiches or hay. Over a board of a crossing words game, wich indicates double value to letters and words, the messenger gives letters to the King.




"O Leão e o unicórnio se batem pela coroa.
E pela cidade toda levantam pó à toa.
Alguns lhes dão pão branco e outros lhes dão broa.
Mas o som dos tambores que os expulsa ecoa."


Essa canção infantil surgiu no início do século XVII, quando a união da Escócia e da Inglaterra deu origem ao atual brasão do Reino Unido, em que aparecem o unicórnio da Escócia e o leão da Inglaterra disputando a coroa.One Pound ou One Round?

"The Lion and the Unicorn were fighting for the crown ..." (nursery rhyme)
One Pound ou One Round?



Capítulo VIII: “Fui eu mesmo que inventei”.



“Só queria saber que Regras de Combate são essas”, disse para si mesma, enquanto olhava a luta, arriscando-se timidamente a por a cabeça de fora do esconderijo. “Uma das regras parece ser que, se um cavaleiro atinge o outro, este deve cair do cavalo; e se ele errar o golpe, ele mesmo é que cai... e outra Regra parece ser a de que eles devem sustentar suas maças com os braços como se fossem marionetes. Que barulho fazem quando caem!” (...) Outra Regra de Combate, que Alice não tinha observado, parecia ser a de que eles caiam sempre de cabeça, e o combate terminou com ambos caindo desse modo, cada um do seu lado. Ao se levantarem, apertaram as mãos, e depois o cavaleiro vermelho montou, saindo a galope."

Duelo entre o Cavaleiro Vermelho e o Cavaleiro Branco, disputando a prisioneira Alice. Um confronto geometricamente calculado em que os dois cavaleiros caem do cavalo uma série de vezes alternadamente até caírem simultaneamente de cabeça para baixo.
O outro lado do espelho reflete dois ilustres cavalheiros: Lewis Carroll e John Tenniel, autor e ilustrador de Alice. Nesse capítulo, “Fui eu mesmo que inventei”, eles disputam a imagem do cavaleiro. No fim do duelo vence o Cavaleiro Branco, alter ego de Lewis Carroll, mas que Tenniel ilustrou à sua imagem e semelhança.


Chapter VIII: “It’s my own invention”
The white knight and the red one fight for having Alice as a prisioner. A combat geometrically designed as a game of reflections and inversion. In the end of the combat both them fels upside down.
In the foreground are Lewis Carroll and John Tenniel.




"Ao cantar as últimas palavras da balada, o Cavaleiro pegou as rédeas e voltou o seu cavalo na direção de onde tinham vindo. – Você agora tem poucos metros a caminhar – disse – (...) E então será uma Rainha… Mas antes você vai ficar aí e ver a minha partida, não vai? – acrescentou, enquanto Alice se virava com olhar ávido na direção em que tinha apontado. – não demorarei. Você espera e acena com seu lenço quando eu virar naquela curva da estrada? Acho que isso me encorajará, entende? – Claro que espero – disse Alice. – E muito obrigada por me acompanhar em toda essa distância… e pela canção… gostei muito. – Espero que sim – disse o Cavaleiro cheio de dúvida – mas você não chorou tanto quanto eu esperava."

Quando chega no final do lance, o Cavaleiro Branco se despede de Alice. Um jogo de fantasmas e de inversões, de reflexões e de sentidos, etc.
Lewis Carroll de olhar melancólico, tenta segurar sua Alice criança, imortalizada em sua obra aos sete anos de idade.
Fui eu mesma que inventei esse Cavaleiro sobre um cavalo com um elmo em forma de cavalo, que se debruça sobre o peito de Alice, formando o L do movimento do cavalo no tabuleiro do xadrez, formando o L de Lewis Carroll, with Love, etc.

The White Knight says good-bye to Alice who is going to become a Queen .
On the front the White Knight falls over Alice’s heart performing an “L” like the horse moviment in the chess board and the letter wich begins the name of Lewis Carroll, with Love, etc.



Capítulo IX: Rainha Alice



Alice atravessa o tabuleiro e chegando à oitava casa, se transforma em Rainha.
Jogo de espelhos e pontos de vista: Alice objeto de agora, ilustração da obra, pintura da vida.
Alice Liddell retratada por sua irmã, Violet. Coroada por Tenniel. Despedida de Carroll.
Queen Alice é: Alice Rainha, deixou de ser minha, tornou-se mulher.
Quem Alice é? Queen Alice. Uma Alice? Woman.


Chapter IX: Queen Alice
The white pown Alice reaches the eighth square and becomes a Queen. Game of mirror reflexions between art and life. Alice Liddell depicted by her sister Vilet and Tenniel’s Alice looking at mine.





"– Que é que se passa? – disse a Rã, numa voz grave e rouca. Alice voltou-se, pronta para queixar-se de todo mundo. – Onde está o criado que devia responder a porta? – ela começou. – Que porta? – disse a Rã. Alice quase bateu o pé no chão irritada com aquela vagarosidade. Esta porta, é claro! A Rã olhou para a porta com os seus grandes olhos embotados durante um minuto. Depois aproximou-se e esfregou-a com o polegar, como querendo saber se a pintura largava. Olhou então para Alice. – Responder à porta? – disse. – Que foi que ela perguntou?"

Bater na porta ou beijar o sapo? Beijar a porta ou bater no sapo?



Capítulo X: Sacudidela e Capítulo XI: Despertando



No final do jogo Alice agarra a Rainha Vermelha com as mãos e então começa a sacudi-la violentamente. Pouco a pouco a Rainha se transforma na gatinha de Alice e ela vai acordando e atravessando novamente o espelho… Último lance na superfície do espelho, limite entre o sonho e a realidade.

Chapter X: Shaking | Chapter XI: Waking
"She took her off the table as she spoke, and shook her back-wards and forwards with all her might. The red Queen made no resistance whatever; only her face grew very small (...) and still, as Alice went on shaking her, she kept on growing shorter ... and fatter ... and softer ... and rounder ... and ...
... and it really was a kitten after all."

The last movement of the game, crossing the boundaries between Dream and Reality.


Capítulo XII: Quem sonhou isso?



No final do livro Alice volta para casa, mas a dúvida permanece: Quem afinal estava sonhando? Grande interrogação, caracóis na cabeça. Será que Alice sonhava com o Rei sonhando com ela sonhando com o Rei? Ou será que muito pelo contrário? Em que sentido, em que sentido? Nos dois sentidos ao mesmo tempo. Pergunta que não quer resposta.

Chapter XII: Who dreamed it?
In the end of the book, on her own side of the looking glass, Alice thougth about who had dreamt all her adventures. Paradoxical question. Did Alice dream with the King dreaming with her dreaming with him? Or the opposite? Wich way?


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