Alice in process…

Instead of the question “Who is Alice?” there are now paths leading to what Alice might come to be…

14 May 2013

June Lornie and her Wonderlands

EVERTYPE would like to announce the publication of June Lornie's illustrated edition of “Alice's Adventures in Wonderland”.





 From the Introduction:

 "As a child I spent much of my life in hospital. I had to lie on my back, so I used a mirror to see what was going on around me—and as a result, I always saw the world back to front. I also remember being told fairy stories such as Cinderella, Snow White, and many more by the nurses. 

Eventually, because I had a mirror, they told me a story about a little girl who went through a mirror herself—that little girl was Alice. At the time, the story of Through the Looking-Glass went a bit over my head, though characters like the Red Queen, and Tweedledum and Tweedledee, stayed in my mind. After this the nurses read me Alice’s Adventures in Wonderland. That was it! I just loved that story. I used to think that one day I would sit in a garden and follow a White Rabbit down a rabbit-hole and see all the strange things that Alice saw. I used to look through my mirror, hoping to see Alice so I could follow her. 

As the years went by I remained fascinated with Alice. I became a theatrical costumier and staged many fashion shows—and when I did, I always managed to include Alice in some form or other. Eventually I began buying books about Alice and about Lewis Carroll. And by then, it was clear that I was really hooked. 

 Ever since I was a child I have always drawn and painted, deeply interested in art—so much so that on closing down my theatrical costumier business I became director of the Liverpool Academy of Arts, a post I still occupy today. My illustrations for Alice began with a single work: “The Mad Tea-Party”. This was soon joined by others—and after I had held an exhibition of this first group and saw them all hanging on a wall together, I felt inspired to complete a full set of illustrations for the story, work which occupied me off and on for a further two years. 

After a local magazine, Cheshire Life, published an article about my illustrations, Ken Oltram from the Daresbury Lewis Carroll Society contacted me and asked if I would like to give a talk at one of their meetings. I did, and soon both my husband David and I joined the Society. We are still members to this day. 

 I have held many exhibitions displaying my illustrations for Alice’s Adventures in Wonderland, and have dressed up as the Queen of Hearts to attend many Mad Tea-Parties with many Hatters. One day I hope to start illustrating Through the Looking-Glass—that should keep me busy for a few years! 

Since Alice has been such a big part of my life, I would like to thank Lewis Carroll for all the pleasure he has given to me, and to so many people all over the world. 

Finally, I couldn’t finish without also thanking Michael Everson for publishing this edition with my illustrations." 




 June Lornie

See her Alice illustrations HERE







11 May 2013

Monteiro Lobato comenta o filme de Alice de 1934









Charlotte Henry as Alice


"ALICE NO PAIZ DAS MARAVILHAS

Monteiro Lobato, o traductor do livro que a Companhia Editora Nacional imprimiu, assim se externou, depois de haver assistido o film da sessão especial:

ALICE

Dodgson, um modesto professor de Londres, escreveu um dia uma historia para divertir certa menina de 10 annos - Alice Diddel. Sua intenção foi essa apenas - divertir a menina. Mais tarde, entretanto, a historia foi publicada com o pseudonymo de Lewis Carrol e obteve aceitação immensa. No mundo inglez, não existe hoje que desconheça "Alice no paiz das maravilhas", já agora um dos encantos das crianças do mundo inteiro.

Ao milagre do genio que foi fixar com palavras um sonho de criança dos mais malucamente extravagantes, a Paramount vem de acrescentar outro milagre, qual o de photographar esse sonho com uma fidelidade que espanta. E para maior victoria descobre uma estrilinha de 10 annos que é, indubitavelmente, a menina mais encantadora de graça e naturalidade que ainda passou por um studio - Charlotte Henry.

Poucas vezes a arte do cinema subiu tanto. Esse film é, na realidade, um sonho de sonho, e, ao contrario de innumeros em que o transplante para a tela desnatura o original, a obra prima da Paramount escraviza-se maravilhosamente ao texto de Lewis Carrol. Esse genio da literatura ingleza, que ignorava que o fosse, espantar-se-hia da lealdade do film, se pudesse vel-lo, pois entre o que elle graphou e o que a Paramount fixou photographicamente, a diferença é apenas de processos.

Na essencia, o sonho que Carrol attribuiui a Alice acaba de ser sonhado de novo."

Monteiro Lobato.
S. Paulo, 25 de abril de 1934




Alice In Wonderland ( 1933 ) 
a version of Norman Z. MCLeod who casted Gary Cooper and Cary Grant. 
The role of Alice is played by CHarlotte Henry.


Alice na obra de Monteiro Lobato:

Aventuras de Alice no Sítio do Picapau Amarelo
As Reinações de Alice e as Aventuras de Lúcia


2 Apr 2013

ALICIS ESPECULARIS



Adriana Peliano

Jan Svankmajer

John Tenniel


Num enerdia de verão, aos 7 anos de idade, olhei através do espelho de Alice. Encontrei uma menina enigmágica que logo me perguntou: Quem é você? Ela não aceitou meu nome como resposta: assim é como você é chamada, retrucou. De súbito nossos espelhos se refletiram entre as curvas do espaço-tempo como um myse en abyme. Naquele instante perdi meu nome no espelho. Hoje busco novas Alices em aventuras labirínticas atravessando múltiplas artes. Me reinvento em Ali-se e seus tantos nomes que se expandem em uma inesgotável criação de eus: Alis, A lys, Alyssos, Alastos, Allistos, Alussas, Alions, entre outras crises e devires: reino das alicinações.



Kenneth Rougeau


Com Alices reviajo no país dos espelhos por caminhos espiralados e mergulho numa floresta misteriosa onde se perde e se encontra essa menina rompiecabezas,  plurilíngua, borboletra alicenógena, proliflora desejos em casulos oníricos, fantasmagorias deliram psicodelícias. Amaravilhas. Vislumbro um rio de florosofias errantes, espelhos líquidos, clepsidras lúdicas, Lúcia no céu com diamantes. Sonhos de Escher dançam geometrias impossíveis. Cabelos revoam anéis de Moebius.



Trevor Brown


Aliceoscópios são uma singular criação catóptrica, uma arte de conceber engenhos especulares que criam visões insólitas, perspectivas paradoxais, geografias exdruxulistas, cartografias escalafobéticas. Num golpe de máquina o espelho mutante de Alice viaja através de tempos loucos e sonhos quânticos em uma inesgotável “sede do infinito”. Sua experimentação exige constante movimento, um amor pelo estranho e indomesticável, libertando armadilhas do conhecido. Alikezan! Alices extrapolam saberes cômodos e estagnados e vão viver novas aventuras desafiando fontes de desejos e desfiando teias e constelações em novos feixes de fabulações. CURIOUSER and curiouser! Estou me esticando agora como o maior telescópio jamais visto. Adeus pés!


René Magritte


Surrealices nos convidam a atravessar os espelhos de Magritte, janelas para o invisível, sonhos dentro de sonhos, inclassificáveis confabulando atrás dos pensamentos. Nos ‘livros de Próspero’ de Peter Greenaway, um dos vinte e quatro livros é composto por páginas de diferentes espécies de espelhos. Cada página produz um reflexo metamórfico devolvendo inesgotáveis imagens de Alices quem somos. Sua leitura se faz nascente de fluxos cósmicos de criação de sentidos, mágica pulsante de investigação de si-m. Monstros do espelho, uni-vos!


Michele Lapointe


Alice foi a heroína vitoriana de um estrambólico e feraz livro de histórias infantis. Viajou para a Disneylândia e foi capturada em ondas de colonização de sonhos. Mergulhou em habit roles e num fluxo rebelde, irradiou wanderlandsHoje respira novos artes em jogos de ser o não ser. Eu... eu... nem eu mesmo sei, senhora, nesse momento ... eu ... enfim, ei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então.






Em diferentes encarnações novas Alices não buscam reproduzir em imagens o que está escrito nos livros, mas de viajar em suas veias e teias, entre mergulhos, travessias e cogumelias. Inúmeras alicinações podem ser criadas desvairando em paradoxos, línguas inventadas, desejos nômades, metamorfoses sem cabeças, sonhos dentro de sonhos, caminhos erráticos, risos loucos pairando no ar, desloucamentes. Ao invés da pergunta: quem é Alice, hoje desdobram caminhos para quem Alice pode tornar-se...




Adriana Peliano


Na travessia dos mil anos o espelho de Alice explodiu em milhares de pedaços, proliferando no imaginário coletivo novas meta-alices numa ampulheta magicósmica, aliceoscópio de alicinações. Nesse universo de mundos possíveis, procuram-se artistas movidos pelo desejo de rebelar os modelos alienados da menina e suas viagens cem sentidos. Hoje extrapolam Alices que entorpecem a imaginação e se desdobram em estereótipos que aprisionam e banalidades que insistem em empobrecer a vida e a arte. Em suas desventuras, exércitos de Alices bebem da garrafa escrito “clichês”. Mas Alice had got so much into the way of expecting nothing but out-of-the-way things to happen, that it seemed quite dull and stupid for life to go on in the common way.”


Elena Kalis


O país das maravilhas e o país do espelho podem estimular o encontro com o desconhecido, a incerteza e o mistério. Jardins de alicismos buscam o que é inexprimível pela palavra, o invisível, jorrando possibilidades inesgotáveis que habitam nas margens e entrelinhas. Menina caleidoscópio, jogo de reflexos múltiplos e simultâneos, fragmentos que cruzam monstrologias e alimentam nossos rios, riscos e risos. Alice nos convida a mergulharmos no poço profundo e atravessar o espelho desafiando as loucuras que nos atravessam. Como escreveu Paulo Mendes Campos em carta para sua filha Maria da Graça: Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.




 Yayoi Kusama


“As aventuras de Alice dentro da toca do coelho ou através do espelho encoraja a procurarmos outras brechas para penetrarmos no maravilhoso.” 

Pierre Mabille


Frédéric  Delanglade


"O artista terá, tal como Alice no país das maravilhas, que atravessar o espelho da retina para alcançar uma dimensão mais profunda."

Marcel Duchamp 




Alain Gauthier


"Com a prudência que lhe confere a sua inteligência matemática e o seu sentido de humor Lewis Carroll escolheu a barca do sonho para atravessar mais confortavelmente o espelho dos olhos de Alice."

Frédéric Delanglade






Margarita Prachatika


“lewis carroll olhou através do espelho e encontrou uma espécie de espaço-tempo que é o modo normal do homem eletrônico. antes de einstein, carroll já havia penetrado o universo ultrassofisticado da relatividade. cada momento, para carroll, tinha o seu próprio espaço e o seu próprio tempo. Alice cria o seu próprio espaço e tempo."

Marshall Mcluhan  



Hajime Sawatari

"Tudo quanto possuímos de poético e também de absurdo se apresenta nos livros de Alice. Ao descer pela toca do coelho, Alice passa a habitar – como quando atravessa o espelho – um pais diferente do conhecido, como quando fechamos os olhos e nos percorremos. As surpresas despontam de todos os lados. Quem somos, afinal?"

Cecília Meirelles




Alice por enquanto é o mergulho e a travessia. 
Viajante da coleção de eus da especialice Adriana Peliano. Menina Sonho.

Adriana Peliano é uma Alice de renascimento, Rainha e fundadora da Sociedade Lewis Carroll do Brasil, que ainda não sabe quem é Alice e por isso não se cansa de alicinar em suas buscas cosmicômicas. 



artigo publicado originalmente no site FORA DE MIM.