Alice in process…

Instead of the question “Who is Alice?” there are now paths leading to what Alice might come to be…

3 Mar 2013

A BUSCA DO MARAVILHOSO


O maravilhoso no surrealismo atravessava fronteiras entre a vida e o sonho em direção a uma nova concepção de realidade, fonte de toda a criação artística.

“O maravilhoso é sempre belo, qualquer tipo de maravilhoso é belo, somente o maravilhoso é belo”.  André Breton


"O maravilhoso varia de época para época; ele participa misteriosamente de uma espécie de revelação geral de que só nos chegam pormenores: as ruinas românticas, ou manequim moderno ou qualquer outro símbolo apto a mexer com a sensibilidade humana por algum tempo." André Breton

   Alice, por que não?

Pierre Mabille definiu o maravilhoso como uma qualidade particular e verdadeiramente indefinível que se prende a alguns seres, a alguns acontecimentos, a alguns textos, a alguns quadros de algumas épocas, inerente a cada descoberta, a cada encontro perturbador, ou a cada conjunção do desejo com a realidade exterior: 

 O Maravilhoso exprime a necessidade de ultrapassar os limites expostos pela nossa estrutura, de atingir uma maior beleza, um maior poder, uma maior duração. Ele é a luta de liberdade contra tudo o que o reduz, a destrói e a mutila; ele é tensão, isto é, qualquer coisa de diferente do trabalho regular e maquinal: a tensão da paixão e da poesia.

 Aonde encontrar o maravilhoso?



Toyen


Uma outra, sem nome, no deserto contemplava o mistério. Nunca conheceremos o seu rosto. O mistério era vazio. O nada aonde morava o infinito. Ela só trazia uma rede para caçar Snarks e borboletas. Lagartas, metamorfoses, perguntas impossíveis, guardiã dos paradoxos, peregrina das fronteiras. Alice percebeu que não havia separação entre o dentro e o fora de si mesma, como um anel de Moebius. Alice era um mapa em branco, um casulo do invisível, uma promessa do impossível. Ouviu uma voz sussurrante que dizia: 

“procure um ponto do espírito onde a vida e a morte, o real e o imaginado, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o alto e o baixo deixem de ser percebidos como contradições” . André Breton


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