Alice in process…

Instead of the question “Who is Alice?” there are now paths leading to what Alice might come to be…

1 May 2010

Era uma escola muito engraçada...


A adaptação de Ana Maria Machado traz uma importante contribuição para as traduções e adaptações de Alice já realizadas para o português. Nela, em especial, o texto de Alice é em grande parte traduzido na íntegra, mas os trocadilhos, paródias e jogos de linguagem característicos de Carroll são adaptados para o português e a cultura brasileira com humor e sensibilidade. Ana Maria Machado procura brincar com as palavras e os sentidos como Carroll brincava, mas na nossa língua, parodiando poemas nossos conhecidos por nossas crianças das gerações recentes como o poema “A casa” de Vinícius de Moraes, casa fantástica e imaginária que existe apenas na linguagem. 


 Nas palavras da tradutora, “Quase todas as traduções de Alice para o português, tradicionalmente, mesmo as melhores, procuravam se dirigir às crianças e, para isso, achavam que tinham só que contar a histórias e deixar de lado os trocadilhos, as piadas lingüísticas, as alusões literárias – principalmente por que era muito difícil traduzir isto. Mas a história ficava sem pé nem cabeça, e o nonsense típico de Carroll virava insensatez, já que grande parte da história é um resultado direto desse jogo de palavras, nasce deles, e seria completamente diferente se o autor tivesse escrito em outra língua. Por outro lado, uma tradução brilhante, fiel e criadora como a de Sebastião Uchoa Leite sem dúvida a melhor de todas, se dirige a leitores maduros e sofisticados, capazes, por exemplo, de descobrir sozinhos a que poemas do século XIX as paródias dos textos se referem e, então, apreciá-las completamente”. 
Ana Maria Machado





Era uma escola


muito engraçada,
não tinha livro,
não tinha nada.
Ninguém podia
estudar lição,
porque o lápis
caía da mão.
Ninguém podia
aprender besteira
por que na sala
não tinha carteira.
Ninguém podia
nem desenhar
por que papel
não tinha lá.
Ninguém podia
fazer dever
porque a escola
ia tremer.
Ninguém podia
escrever com giz
por que entrava
pó no nariz.
Mas era feita com bom capricho
na Rua do Gato,
País do Bicho.



Leia mais sobre o poema AQUI. 




ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Tradução de Ana Maria Machado.
Ilustrações de Jô Oliveira. (Brasil)
São Paulo: Editora Ática, 1997.

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